19 Abril 2006

Ana Vieira em Coimbra
























Ambiguidade entre interior e exterior, privado e público, presença ou ausência, são algumas das qualidades que podem ser percepcionadas nas três obras pertencentes à colecção da Fundação de Serralves apresentadas no espaço do Pavilhão Centro de Portugal em Coimbra numa exposição comissariada por João Fernandes.




















Menciono este último aspecto pois considero que a inserção da instalação Corredor no espaço principal do Pavilhão revelou uma preocupação e um esforço conseguido de adequação e enquadramento da obra no espaço arquitectónico.

Observada do primeiro piso através de uma janela que permite ter uma panorâmica do edifício, a instalação parece relacionar-se harmoniosamente com espaço nos seus volumes quebrados e na identificação com a mancha branca que invade e caracteriza o interior do edifício criado por Siza Vieira.




















Esta instalação foi concebida pela artista para o espaço da Galeria Quadrum onde esteve patente ao público entre 16 de Março e 8 de Abril de 1982. Composta por madeira, ferragens e algumas dezenas de metros de pano de algodão branco, a estrutura forma um corredor estreito, por vezes baixo e espartilhado nos seus ângulos, convidando o espectador a atravessar o seu interior e a percorre-lo na perspectiva de alcançar algo que não é perceptível nos primeiros metros do percurso.

Esta instalação introduz na obra de Ana Vieira algumas diferenças face ao tipo de ambientes/instalações produzidos durante a década anterior. Posso citar como paradigma oposto e a título de exemplo, Sala de Jantar (1971), pertencente à colecção do CAM/JAP da Fundação Calouste Gulbenkian, onde, ao contrário do que acontece com Corredor, o espectador é impedido de entrar no espaço da instalação por uma trama de tecido transparente onde foram impressos vários perfis de mobiliário associado a uma sala de jantar.














































No Corredor, o tecido usado não é translúcido. A relação criada com o espaço envolvente é totalmente distinta.




















Ao contrário de uma visão simuladamente globalizante, e neste sentido confortável, no Corredor é-nos infligido um sentido, uma visão e um destino. Este jogo entre transparências e opacos dita uma falsa sensação de participação ou postura de observação em cada um dos projectos.

Esta questão da visão, de um olhar participativo, contemplador ou voyeurista é outra das questões que atravessa os vários projectos desenvolvidos por esta artista e as outras duas peças seleccionadas para esta exposição não fogem a essa reflexão.

No primeiro piso do Pavilhão temos acesso às outras peças. A primeira, designada de Mesa-Paisagem, data de 1975, e a segunda, Janelas foi realizada em 1978.

Enquanto a primeira se concentra na exploração de uma indistinção disciplinar, processo que começou a desenhar-se na arte portuguesa no início da década de 60 e que deu lugar à criação de instalações e ambientes onde se tornaram pouco claras as fronteiras entre pintura e escultura, a segunda introduz uma reflexão sobre o que João Fernandes referiu como a observação do nosso próprio acto de observação.
















Mesa-Paisagem é uma mesa redonda dividida em dois hemisférios. Aqui dominam o olhar participativo e o contemplador por esta mesma ordem. Na terra janta-se com talheres de prata e no mar navega-se à vela.
















Em Janelas é o olhar voyeurista que invade ou é convidado e perscrutar o interior de uma casa. A instalação é composta por seis projectores de slides, um guião e uma banda sonora. O espectador é transformado pela artista num invasor da privacidade alheia.
















A mesma situação repete-se em Le Déjeuner sur l'herbe de 1977, obra que pode ser vista no âmbito da exposição “26 Anos – Encontros de Fotografia” no Centro de Artes Visuais de Coimbra. Trata-se da projecção de um diaporama do quadro homónimo de Edouard Manet sobre uma tolha de piquenique na qual foram dispostos copos, pratos, uvas, um cesto, pincéis e uma paleta de tintas.

Na pintura de Manet a personagem feminina nua, em primeiro plano, olha incisiva e directamente para um espectador imaginário.

O modo como o faz, transforma-o num outro protagonista da cena representada. A crueza dessa participação sente-se a presença física dos objectos deixados sobre a toalha.

14 Abril 2006

Montagem da Exposição NARRATIVAS - 4º dia - 31 Março 2006






































































































Vários pormenores da Intalação de Ana Guedes

Montagem da Exposição NARRATIVAS - 3º dia - 30 Março 2006










Dora Moura































Diferentes possibilidades de Instalação dos diaporamas de Carla Cruz














Inicio da Instalação de My broken heart collection. Ana Guedes e Carla Capela











Carla Capela

05 Abril 2006

Montagem da Exposição NARRATIVAS - 2º dia - 29 Março 2006




Catarina Saraiva

Eva Alves

Flávia Vieira

Kinga Ogorék

Doura Moura

Ana Pérez-Quiroga

04 Abril 2006

Montagem da Exposição NARRATIVAS - 1º dia - 28 Março 2006


















(design Helder Bento_tlm. 914797072_helderbento@gmail.com)


Comissariado: Ana Luisa Barão

Obras de:
Ana Guedes
Ana Peréz-Quiroga
Ana Rito
Carla Cruz
Catarina Sariva
Dalila Vaz
Doura Moura
Eva Alves
Flávia Vieira
Joana Mendonça
Kinga Ogórek
Manuela São Simão
Mónica Faria
Soraya Vasconcelos
Susana Pires


Inauguração: 1 de Abril às 21h
Até 28 de Maio

Galeria Sete
Arte Contemporânea
Av. Elísio de Moura, 53
3030-183
tel 239702929
fax 239780404
tlm 967009613
http://www.galeriasete.com/
sete@galeriasete.com

2ª a 6ª Feira das 11h às 13h e das 15h às 21h
Sábado das 15 às 21h
Domingo das 15 às 21h

1º Dia 28 Março 2006



















Dora Moura










Dora Moura e Eduardo Rosa



















Susana Pires










Susana Pires, Ana Luísa Barão e Manuela São Simão










Depois do Almoço no Polo II. Dora Moura, Mariana Saturnino e Susana Pires













Chegada da Dalila Vaz à Galeria com o seu "rolo" de fotografias













Manuela São Simão













Eduardo Rosa













Manuela São Simão










Paulo Rosa na montagem dos desenhos de Raquel Gomes




























Preparação da montra da Galeria com o lettring (Design Helder Bento)

03 Abril 2006

Dalila Vaz - Narrativas

CV
Dalila Vaz nasceu 1980. Vive e trabalha no Porto. Estudou Artes Plásticas na ESAD - Caldas da Rainha - (2005). Participou em vários Workshops: IX Simpósio Internacional de Pedra das Caldas da Rainha (2003); Workshop de Escultura em Pedra, E.S.A.D., Caldas da Rainha (2002); Workshop de Resina e Fibra de Vidro, E.S.A.D. Caldas da Rainha (2002); Recebeu o 2º Prémio de Desenho da Office Center em 2003. Participou em várias exposições colectivas Exposição de Finalista (Caldas da Rainha, 2005) e Casa dos Barcos (Caldas da Rainha, 2004).

Sinopse
O trabalho torna-se bastante pessoal ao fazer composições com a minha figura, e com o que ela representa, enquanto pessoa que fotografa, objecto fotografado, e como mulher. Procuro para tal espaços sugestivos pela sua textura, composição e pela noção de tempo passado a que alude. O diptíco intitulado “ Le Marriage”, apresenta-se sob a forma de duas imagens que são idênticas tanto na sua composição formal como na sua realidade contextual. Retractam o sentimento perdido da ocupação do espaço por duas personagens que apesar de estarem em posições sociais semelhantes ocupam mundos e realidades diferentes.














Le Marriage , 2005
Fotografia sobre papel Mate
2x (100x70 cm)

















S/ Título, 2005
Fotografia sobre papel Mate
100x70 cm

Eva Alves - Narrativas

CV
Eva Alves nasceu em 1980. Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Frequenta o mestrado em pintura (variante teórico-prática), na FBAUL. Frequentou vários Workshops: Técnicas Contemporâneas de Trabalho em Vidro (dir. Michael E. Taylor, FBAUL, 2002); Técnicas de Desenho (dir. Maria João Gamito, FBAUL, 2001). Participou em várias Exposições com destaque para Jovem Aposta em Ti (2006), Prémio de Pintura e Escultura Artur Bual 2005 (2005); Anteciparte 2005 (Estufa-Fria, Lisboa, 2005) e Exposição de Finalistas da Faculdade de Belas Artes 2004/2005 (Galeria Mitra, Lisboa, 2005).

Sinopse
«“Sobre os homens e mulheres que procuram ser desejados” é uma obra composta por um conjunto de objectos, cuja essência se insere num contexto aprazível. A intervenção neles presente revela de modo peculiar, às distintas conotações aprazíveis que os compõe. Ao revestir com “mamilos femininos” um conjunto de sapatos, estes evidenciam o carácter enigmático neles retido e convertem-se em fetiches. Saltos altos, sapatos elegantes, são algumas das armas dos jogos de sedução. Objectos atractivos, que indubitavelmente aludem ao toque, que por nós desejam ser tocados e como veículo de desejos suprimidos, transportam-nos para um ambiente sensualista. Essa é a arte que seduz, que não mais regula desejos e onde o desejo flúi livremente. Destinados a produzir obras de carácter ambíguo, constituídas por um conjunto de objectos atractivos que nos transportam para um ambiente sensual, estes objectos aprazíveis e tácteis, começam por suscitar ambiguidades de desejo e desconfiança quando o observador se imagina a usá-los. Procuro sobretudo reinventar num objecto mundano e familiar uma fantasia erótica. Colocados num contexto pouco comum, estes objectos ar partilham semelhante linguagem, entram facilmente em concordância entre si, transitando entre os diferentes tipos de prazer que neles estão implícitos e proporcionando experiências ao espectador, através da sua interacção física e mental. »














Sobre os homens e mulheres que procuram ser desejados, 2005
“Mamilos femininos” em látex sobre botas e sapatos
300x300 cm


Joana Mendonça - Narrativas

CV
Joana Mendonça, nasceu em 1982, em Viseu. Licenciada em Pintura, pela Faculdade de Belas artes da Universidade do Porto. Frequenta a Pós-graduação de Gestão Cultural na U.L.H.T. em Lisboa. Trabalhou como colaboradora no Cinema Passos Manuel, e como responsável pelas visitas guiadas na Solar - Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde. Trabalha como assistente no Teatro Carlos Alberto, no Porto. É membro e co-fundadora da MINA- Associação Cultural, com sede no Porto. Participou em variadas exposições colectivas como: (2006) “Metáfora do Coração”, no espaço Artes Múltiplas; (2005) “Casa casais”- intervenções no espaço urbano em transformação; “XIII Bienal de Cerveira”, com o projecto “Interferências”-intervenções artísticas no espaço público; Exposição Colectiva de Fotografia no Museu da FBAUP; (2004) “Movimentos”, na galeria Psyhari 36, em Atenas, Grécia.













Sinopse
Este trabalho reflecte a passagem do tempo e as marcas deixadas pelo homem nos espaços que ocupa ou que foram seus. Parte de um padrão de papel de parede que nunca existiu, de uma planta que se apoderou de um espaço abandonado pelo homem, para mais tarde o abandonar também. Assim como os espelhos, as plantas observam e reflectem o que se passa à sua volta. Constroem-se através de nós e contam a nossa história. O que resta são as marcas, as nossas e as que qualquer pessoa identificaria como suas: uma cadeira comum, uma tela, que decora a sala de jantar, ou quaisquer outras referências. O que estes objectos desejam é a identificação, a familiaridade, permitindo uma experiência estética, visual e sentimental. Uma extensão material de nós próprios.




















Biowallpaper I, 2006
Cadeira Tela e Mesa revestidas a pano e tela, ambas realizadas a serigrafia sobre pano.
Tela 70x70 cm
Cadeira 84x42x38 cm.
Mesa

Mónica Faria - Narrativas












CV
Mónica Faria nasceu em 1979 em Espinho. Vive e trabalha no Porto.
Licenciada em Artes Plásticas - Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em 2005. É membro activo do grupo Identidades (Cooperativa Gesto/ Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto), grupo de intercâmbio cultural e artístico. Foi também fundadora e é membro activo do colectivo Senhorio tendo participação nas edições das fanzines Barba, Pingue, C(r)oquete e Busto em 2005. Participou nas seguintes exposições colectivas: Blue Screen, galeria da Biblioteca Almeida Garret, Porto (2005); Outros Lugares, Faculdade de Direito da Universidade do Porto (2004); M.S.N.- Ideias no Lugar, Museu Nogueira da Silva, Braga (2004).

Sinopse
Meada é um video de longa duração em que num plano único uma acção contínua decorre.
Um corpo envolvido em lã vermelha de arraiolos (o da própria artista) desvela-se progressivamente estabelecendo um elo de dádiva e reciprocidade com uma dubadoura, elo materializado no próprio fio que é o nexo, neste caso, invertido do acto de dubar. (dubadoura: objecto da tradição dos arraiolos que é usado numa fase inicial e preparatória da feitura do tapete- o antes de acontecer).
Num jogo de objectualização do corpo e de humanização do objecto (que tendo em conta o carácter autobiográfico da obra, é sobretudo da ordem dos afectos) as premissas primeiras da relação instrumental do objecto e funcional do corpo são alteradas e por isso poetizadas.
Esta subversão questiona o limite das coisas tangiveis e visiveis bem como as suas significações:uma dança entre os pressupostos da morte e do nascimento, da preparação do acontecimento e do acontecimento em si, da dor e da libertação, a relação abrangente do significado de fim e principio.
Um duelo mudo e passivo.

























Meada, 2006
Vídeo, Cor.

Manuela São Simão - Narrativas

CV
Manuela São Simão nasceu em São Paulo (Brasil) em 1980. Licenciada em Artes Plásticas_Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2003). Vive e trabalha no Porto. Expõe regularmente desde inícios de 2000. Participou em diversas exposições colectivas e individuais: “Boundaries_Espaço-Caixa” (instalação e Project-room na “Velha-a-Branca-Estaleiro Cultural”, Braga,2005) ,“Fronteiras e Enquadramentos” (galerias do Labirintho – Bar, Porto,2005), “Boundaries (Destaques) (Project-room com luz negra na “Por-Amor-à-Arte Galeria”, Porto, 2003), “Projecções” (colectiva de desenho na Fundação Júlio Resende, Porto,2003). Tem sido reconhecida com diversos prémios entre os quais o 2º Prémio na “VIII edição do Prémio de Pintura Fidelidade/Mundial” (Culturgeste, 2004) e o 2º Prémio na VII edição do “Prémio de Pintura João Barata” (Livrarias Barata, Lisboa, 2003).

Sinopse
“Boxed Attitudes” são mulheres à espera de uma oportunidade para agir, para mostrar os seus ideais, para expor as suas ideias. Estão dentro de caixas, rotuladas, sufocadas por “pré-conceitos” que parecem prevalecer sobre qualquer atitude de revolta. Vivemos na era da livre circulação em que as fronteiras físicas parecem desmoronar-se para dar lugar a limites psicológicos e a novas formas de discriminação, enquanto outras se mantêm intactas como superstições que ninguém se atreve a questionar. O que é um rótulo senão uma forma de limitação, numa sociedade consumista que parece precisar cada vez mais de encontrar um padrão, um limite de acção com as suas fronteiras e regras bem definidas? Somos todas diferentes mas todas rotuladas e legendadas: mulheres.














Stand-by (Boxed Attitudes), 2006
60 telas de 30x30 cm empilhadas
tinta fluorescente s/ tela

Rotuladas e Legendadas, 2006
acrílico e tinta fluorescente s/ tela (dimensões variáveis)













Stand-by (Por Baixo da Escada), 2006
Instalação

Kinga Ogórek - Narrativas

CV
Kinga Ogórek nasceu em 1979, vive e trabalha entre Cracóvia e Porto. Fez mestrado em Belas Artes-Escultura pela Academia de Belas Artes de Wroclaw. Participa desde 2000 em diversas exposições: Contemporary Art Gallery (Zakopane, 2001); After plein-air (Gallery of Academy Fine Arts, Warsaw 2002); After Graduate (Contemporary Art Galery, Wroclaw, 2005). Partipou em diversos “Open Airs”: Handesleben (Germany, 2001); Open air (Kudowa Zdroj, 2002); Sculptor´s open air em pedra (Center of Polish Sculpture, Oronsko, 2003); Polish - German open air - cerâmica, pedra e madeira (Center of Polish Sculpture, Oronsko, 2003); Sculptor´s open air em cerâmica, Madeira (Tarnogrod, 2004); Sculptor´s open air em pedra (Pinczow, 2005).


Sinopse
O Teasack Work, é produzido através de uma técnica que permite a ligação dos elementos - a máquina de cozer. Milhares de sacos de chá usados foram cozidos segundo um sistema mimético. Neste mimetismo a organização da palete de cores dos elementos - papel de chá usado - é cuidadosamente disposta no sentido da procura da forma escultórica plástica previamente idealizada. Questões de fragilidade, sensualidade, feminilidade, translucidez, odor estão presentes neste trabalho. O Teasack Work traduz-se numa frágil pele de memórias e prazer.


























Teasack Work, 2005
Técnica mista , papel de sacos de chá usados
400x200x50 cm
2005

Catarina Saraiva - Narrativas

CV
Catarina Saraiva nasceu em Lisboa, em 1973. Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes Universidade de Lisboa. Curso Estilismo Industrial, CIVEC – Lisboa. Últimas Exposições Individuais: 2006 – Tänzerin, Voyeur Project View, Lisboa; Agnosia, Galeria Forma de Arte, Estoril; 2004 – Módulo – Centro Difusor de Arte, Porto; Módulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa. Últimas Exposições Colectivas: 2006 – The Act of Apparition, Plataforma Revólver, Lisboa; 2005 - Nine Solitarie Positions, Mam Mário Mauroner Contemporary Art, Viena, Áustria; Arte Lisboa (Módulo), F.I.L, Lisboa; XXX – 1975 / 2005, Módulo Centro Difusor de Arte, Lisboa; Propostas no papel, Módulo – Centro Difusor de Arte, Porto; 2004 – Criar um lugar, intervenção pública de arte contemporânea (Com. Fátima Lambert), Porto; Mujeres de España y Portugal, Galeria Fernando Serrano, Huelva, Espanha; 2003 - VV2 Vivere Venezia – Recycling the Future (Com. Ângela, Vetesse, Francesco Bonami e Marco de Michelis), 50ª Bienal de Veneza (cat).

Sinopse
Peça constituída por vinte e três unidades. Cada unidade consiste numa moldura de 25x15x10 cm em gesso com interior trabalhado a cetim preto. Tainted Love - insere-se num conjunto de trabalho que tenho vindo a desenvolver em torno da questão dos limites do corpo e da sua percepção. O tema vanitas e o elemento espelho são o ponto de partida para este núcleo, que teve o seu início na série Agnosia (uma perturbação da percepção que leva o paciente a ver e sentir os objectos sem os identificar na sua função). O espelho mantém a sua aparência mas a sua superfície em lugar de reflectir devolve um outro corpo.

























Tainted Love, 2006
moldura de gesso / tecido
200x150x10 cm (painel)

Ana Rito - Narrativas

CV
Ana Rito nasceu em 1978. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2004). Frequentou o Curso de Desenho, Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa, 1997); o Curso de Artes Visuais, António Arroio, (Lisboa, 1997) e o 1º Curso Livre de História da Arte na Universidade Nova (1996). Em 2003 fez uma Residência artística na IUAV – Facoltà di design e arti, Veneza, Itália. Esta é a quarta exposição no presente ano de 2006 em que Ana Rito irá participar. Tem já agendado uma próxima individual no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), e uma exposição colectiva na MAM – Galerie, Áustria, na cidade de Salzburgo.

Sinopse
«Trabalhando um sentido de identidade que se transmuta, procurando escapar às contingências de classificação tipicamente avançadas, a artista concebe uma ideia nuclear dessa mesma identidade como um todo, que, necessariamente, é transversal à forma como nos vemos a nós próprios, como vemos os outros. De facto, entre a esperança e a ameaça, o humor e o silêncio, Ana Rito produz séries de trabalhos que se desenvolvem em torno da “pura teatralidade” (Carlos Vidal) que supera tentativas de leitura redutoras, baseadas em princípios simplistas de feminismos, religiosidades ou questões de género.»























L’Absence, 2006
Candeeiro reaproveitado e intervencionado com tecidos, fitas de cetim e pérolas.
250x100x100 cm

Soraya Vasconcelos - Narrativas

CV
Soraya Vasconcelos nasceu em 1977. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Tem o Curso Técnico de Fotografia Comercial – ETIC. Frequentou vários cursos: Pós-graduação Implementação da Tecnologia Digital na Prática da Fotografia - Universidade Autónoma de Barcelona; Curso de Fotografia. Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística. Participa em várias exposições colectivas e individuais desde 2000: Capuchinho Remisturado (SOPRO – Projecto de Arte Contemporânea, Lisboa, 2005); Livre Arbítrio (Galeria Parthenon, Lisboa, 2003); Apresentação final dos trabalhos dos alunos participantes no curso de fotografia, Programa Criatividade e Criação Artística (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2006); IV Prémio Citydesk (Centro Cultural de Cascais, 2004); Heteronomias (Maus Hábitos. Porto, 2003).

Sinopse

Vendetta- Italian, from Latin vindicta, revenge.
A feud between two families or clans that arises out of a slaying and is perpetuated by retaliatory acts of revenge; a blood feud.

Uma mulher (o capuchinho vermelho), vestida com Pele de Lobo (um vestido inspirado nos modelos anos 50 de Christian Dior, em seda e pelo sintético), é surpreendida por um visitante invisível, que se deduz ser o lobo (ou um lobo) ao qual ela roubou a pele para confeccionar o seu fato. A sua atitude, inicialmente segura, passa por vários estados: surpresa, inquiridora, esquiva, preocupada, coquette e finalmente, conquistada pelo medo.
















Vendetta, 2005
Lambda Print
22 x 220 cm (ed. 3)

Flávia Vieira - Narrativas

CV
Flávia Vieira nasceu em 1983. Frequenta o 5º ano de Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Participou na 5ª Bienal de Artes Plásticas da Marinha Grande (2004); Vidro Contemporâneo (Marinha Grande, 2006) e fez uma Exposição individual no Espaço Contagiarte, Porto, 2005. Realizou trabalho de ilustração na revista Mealibra (nº.16) (2005).































Ouve-te, 2005
Instalação com Panos de Cozinha, Lenços de Homem
impressão serigráfica sobre tecido, linha de bordar
dimensões variáveis

02 Abril 2006

Ana Pérez-Quiroga - Narrativas

CV
Ana Pérez-Quiroga nasceu em Coimbra em 1960. Vive e trabalha em Lisboa. Licenciatura em Escultura, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e Frequência do Mestrado em Artes Visuais – Intermédia na Universidade de Évora. Exposições individuais: (2005) Quem tem telhados de vidro não atira pedras, Plataforma Revólver, Lisboa; Antes Morta Que Burra, Casa d’Os Dias da Água, Lisboa; Vedute, Álvaro Roquette, Lisboa; Image Tanger, Salão Olímpico, Porto; Image Tanger, Villa Leon L’africaine, Tanger, Marrocos. (2004) Natureza Morta: Caixas, Barros, Flores e Auto-Retrato, sala 1, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa. (2003) E, Casa d’Os Dias da Água, Lisboa, 2002 Diz que me amas, Galeria Filomena Soares, Lisboa. (1999) Breviário do Quotidiano #2, Loja do Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa. Exposições colectivas (selecção): (2005) Radicais Librés, Santiago de Compostela, Espanha; (2004) 1980- 2004 Actualidade Artística nas Colecções do Museu do Chiado, Museu Francisco Tavares Proença Junior, Castelo Branco. Curator: Emília Tavares; (2003) Bienal da Maia 2003 Continuare - trabalhos da colecção IAC / CCB, mais doze, Maia. Curator: Jürgen Bock; (2002) Comer o no Comer, CASA - Centro de Arte de Salamanca, Salamanca. Curator: Darío Corbeira; Círculo F, CAPC, Coimbra; Under surveillance / Sob vigilância, Museu da Fábrica da Pólvora, Barcarena. Curator: Nuno Alexandre Ferreira; Disseminações, Culturgest, Caixa Geral de Depósitos, Lisboa. Curator: Pedro Lapa; (2000) Bolseiros e Finalistas AR.CO 2000, Fábrica Nacional de Cordoaria, Lisboa. Curator: Manuel Castro Caldas; Olhar da Contemporaneidade, Festas da Cidade, Palácio Pancas Palhas, Lisboa. Curator: Elídio Pinho; (1999) Quartos, Chambres, Zimmers, Rooms — águas correntes no convento de S.Francisco — Exposição de Finalistas de Escultura, FBAUL, Lisboa.


Sinopse
«Conferência dos Pássaros

(…)
Abriram-lhes a porta. Abriram-lhes ainda cem cortinas. A mais viva luz brilhou.
Contemplaram finalmente o Simorg, e viram que o Simorg era eles mesmos -
- e que eles mesmos eram o Simorg.
Quando eles olhavam o Simorg, eles viam que era bem o Simorg.
E se eles retornavam o olhar sobre si mesmos,
eles viam que eles próprios eram o Simorg.
Eles não formavam na realidade senão um único ser.
Nunca ninguém no mundo tinha ouvido nada semelhante.
Os pássaros imobilizaram - se lentamente na presença do Simorg -
- deles próprios.
Sem compreenderem nada, eles questionaram o Simorg,
não se serviram da língua.
Perguntaram-lhe qual era o grande segredo.
Então o Simorg disse-lhes, sem ter utilizardo tão pouco a língua:
"o sol da minha majestade é um espelho.
Aquele que se vê nesse espelho, aí vê a sua alma e o seu corpo.
Vê-se nele por inteiro. Fossem vocês trinta ou quarenta,
vocês veriam trinta ou quarenta pássaros nesse espelho".
Então os pássaros perderam-se para sempre no Simorg.
A sombra confundiu-se com o sol, e pronto.
O caminho fica aberto, mas já não há nem guia, nem caminhante.

Poema sufi persa do século XII
de Farid Ud-Din Attar

Attar viveu no séc. XII na Pérsia, em Neshapur, a cidade de um outro poeta célebre, Omar Khayyam. Herdou do pai um comércio de perfumes e nessa loja onde passou grande parte da sua vida, escreveu quase toda a sua obra.
Este poema, longo de quatro mil seiscentos e quarenta e sete versos tem por tema o pássaro que se liberta das armadilhas e peso do mundo para voltar para o seu verdadeiro rei. Trata-se de uma verdadeira viagem pois a alegoria nunca apaga a precisão terrestre das personagens nem dos objectos. Mas é também uma travessia das aparências, uma viagem iniciática ao encontro de nós mesmos. É um “Mistério”, como os que se celebravam em Elêusis ou no Egipto.
No fim da sua obra, muito consciente do seu génio, Attar escreveu “Aquele que não sentiu o perfume do meu discurso não teve o mínimo acesso no caminho dos amantes”. »





































A conferência dos pássaros, 2006
técnica mista
dimensões variáveis